
Mauro Ovelha
POR: Giba e Fernanda Carine
Profissionalismo e seriedade são seus pontos fortes, como jogador, foi zagueiro, exímio cobrador de faltas, como treinador, está, cada dia mais, buscando seu espaço no futebol estadual e nacional, chegou na Chapecoense para iniciar um projeto à médio e longo prazo. Há pouco mais de um ano no cargo, ele foi um dos responsáveis pelo grande ano que a Chapecoense teve em 2009.
Respeitado pela mídia e pela torcida, o nosso entrevistado e homenageado de hoje é o gaúcho Mauro Grasel, ou se preferir, Mauro Ovelha. Aos 42 anos, o treinador do Verdão fala um pouco da sua carreira como jogador, do seu trabalho na Chapecoense e projeta o que podemos esperar do ano de 2010.
Esse é o presente de fim de ano do GOLDACHAPE para você torcedor que acessa o nosso site, entrevista com o Comandante do Verdão do Oeste.
GOLDACHAPE – Mauro, quem foi o seu grande descobridor no futebol? Aquele que te deu a primeira oportunidade como jogador de futebol?
MAURO OVELHA – Foi na época de colégio, eu comecei a jogar campeonato estudantil com o professor Benedito, e daí acabaram me levando pro Inter de Porto Alegre.
GOLDACHAPE – Como surgiu o apelido Mauro Ovelha?
MAURO OVELHA – Apareceu um cara da imprensa de Criciúma que colocou o apelido por causa do cabelo, e acabou ficando o apelido Mauro Ovelha.
GOLDACHAPE – Você jogou em diversos clubes do futebol catarinense, em qual clube você teve a melhor fase da tua carreira?
MAURO OVELHA – Vários clubes? Fase? (Ovelha pensa um pouco) Talvez, no início, lá no Criciúma, e no final, em relação ao Atlético de Ibirama. Eu acho que no resto foi mais uma sequência de trabalho positiva que eu tive.

Ovelha deve bater o record de permanência como Técnico do Verdão, que hoje pertence à Agenor Piccinin
GOLDACHAPE – Você que jogou como zagueiro, enfrentou grandes craques do futebol catarinense, qual era o jogador mais “chato”, aquele cara que você sofria muito pra marcar?
MAURO OVELHA – Vários aí, vários deles. Eu peguei o Albeneir (ex- Figueirense) jogando, esse era muito complicado de se marcar.
GOLDACHAPE – Você encerrou a carreira no Atlético de Ibirama, certo? O Ayres Marchetti foi um grande incentivador seu para que você virasse treinador de futebol, ou você tinha já o pensamento de seguir como técnico após o término da sua carreira como jogador?
MAURO OVELHA – Na verdade não foi isso, na época eu tinha na minha cabeça. Quando eu parei de jogar, eu parei cedo por causa disso, até pela chance de continuar no futebol, mas como diretor de futebol, trabalhar com contratações, parte administrativa, que eu sempre tive muito interesse, em relação à isso, mas as coisas encaminharam de uma outra maneira, daí aconteceu de eu assumir em 2004, em 2005 de novo, então, apostar em uma coisa só entendeu? Em relação ao meu perfil, achei que era muito mais interessante investir na minha carreira e não fazer mais aquilo que fazia, que era em relação à parte administrativa, daí procurei investir, investir e não voltei mais e é o que eu vou fazer daqui para frente.
GOLDACHAPE – Bom Mauro você chegou aqui no Verdão no final do ano passado, o que te fez vim para a Chapecoense? É o projeto à médio e longo prazo?
MAURO OVELHA – Eu estava no Rio Grande do Sul na época, no Santa Cruz, foi o projeto que a Chapecoense apresentou, o projeto que tinha e muito em relação à cidade que eu sabia que era fanática por futebol. Em relação ao meu perfil, à minha maneira de trabalhar, as coisas como são aqui com muita luta, em relação à torcida que era muito apaixonada pelo clube, e isso era uma coisa boa, até mesmo em relação à mim, que combina muito mais comigo. Iniciamos em 2009, eu tinhaque conseguir esses objetivos que a gente conseguiu, que era ter o calendário cheio para 2 anos, lógico também, que nosso objetivo era ter ganho as competições que a gente participou, tivemos chance para isso, mas, infelizmente, não aconteceu como a gente gostaria, mas fica para o próximo ano, para tentar melhorar, conseguir trabalhar bem, como fizemos em 2009, com conquista que é o nosso objetivo.

Mauro Ovelha e Jandir Bordgnon - Diretor de Futebol
GOLDACHAPE – O time não tinha começado bem o Catarinense desse ano, o momento da virada na competição foi o jogo contra o Marcilio Dias em Itajaí?
MAURO OVELHA – Nós tivemos várias chances, eu sabia que a gente ia crescer muito na competição a partir do momento que ganhássemos fora, mas demorou muito para a gente conseguir um resultado positivo fora e a pressão foi aumentando, o pessoal falava e eu achava que o time jogava melhor fora do que em casa, o time ganhava em casa e fora não, e esse jogo foi muito importante, até porque isso incomodava inclusive na minha carreira, eu sempre tive e, depois desse jogo, fizemos uma sequência boa, que nos fez chegar bem na competição, e foi a melhor sequência de todas, e isso fez a diferença.
GOLDACHAPE – Mesmo a equipe não tendo conquistado o titulo, o time do Catarinense ficou muito marcado na torcida, o que você tirou de bom do vice campeonato catarinense desse ano?
MAURO OVELHA – Acho que, até mesmo em relação à sintonia, pelo fato da torcida ser muito apaixonada pelo clube, ela conseguiu transmitir uma energia muito grande para nós dentro do clube e os jogadores sentiram que isso fez uma diferença grande, não que a gente era melhor que os outros, a gente não era melhor e nem somos hoje, mas essa parte faz diferença e o grupo tinha uma união muito forte em relação às coisas que acontecem, e, no futebol, é necessário ter; às vezes não é melhor tecnicamente mas estar junto, dentro do grupo, tu consegue resolver muito problema dentro de uma competição, e o que manda hoje é o grupo de trabalho, ele estando bem o time vai embora.
GOLDACHAPE – Daí, Mauro, começou a Série D muitas viagens desgastantes, muitas dessas até maiores, em termos de quilometragens, do que as feitas durante o Catarinense, qual o momento, durante a Série D, que você, como técnico, percebeu: nós iremos subir para a Série C.
MAURO OVELHA – Desde o início eu acreditava que íamos subir, até pelo modo de jogar do time, tanto dentro quanto fora de casa, e quando começou o mata-mata também, eu senti que conseguiríamos, porque no mata-mata é necessário que, nos 2 jogos, tenha regularidade e a partir disso, vi que tínhamos condições pela forma que o grupo se comportou. Na Série D nós tivemos que remontar o grupo e esse era nosso trabalho, perdemos muitas peças no estadual, fazer de novo aquela estrutura toda montada, perdemos alguns jogadores importantes, mas tínhamos que contratar outros para tentar fazer a mesma coisa e, felizmente, para nós acabou dando certo e tivemos a humilde no início da competição mesmo ter ido mal nos amistosos que, no começo da competição, tínhamos que melhorar bastante e melhoramos. Sempre o nosso objetivo era ser um candidato forte para chegar e a gente conseguiu, todo mundo via que a gente estava forte, e estava querendo, mesmo depois na segunda fase tivemos uma sequência difícil, perdemos 7 jogadores e, destes, 5 titulares, e isso acumulou bem no final, justamente quando a gente mais precisava, mas estávamos enfraquecidos em relação ao grupo de trabalho, naquele momento, principalmente no jogo contra o Macaé, no Rio de Janeiro; aquilo foi um acúmulo, a gente nunca teve tanto problema em um jogo só, tínhamos perdido o Luis André, o Cadu e o Fabrício, e a gente não tinha jogado nenhum jogo sem os 3, eles faziam uma falta muito grande na marcação, e aquele jogo quase nos matou, mas no futebol acontece muita coisa na a parte tática, parte técnica, que ninguém consegue fazer nada; mesmo assim, o grupo fez uma grande competição, só que a gente tinha o objetivo de ganhar, até porque tínhamos muita condição de ganhar, mas vale por que a gente conseguiu calendário pro clube, vale pra estrutura dele, que, certamente, vai melhorar.

Mauro Ovelha juntos com os torcedores
GOLDACHAPE – Dos 40 jogos que a Chapecoense jogou, neste ano de 2009, qual aquele jogo que mais te marcou, que você jamais vai esquecer?
MAURO OVELHA – Tivemos vários jogos bons, eu achei que esse último jogo, até pelo fato de a gente ter jogado bem, ele vai ficar marcado, e pela frustração que tivemos, o futebol é assim, a cada dia você vai aprendendo mais coisas, aquele jogo nós tínhamos muita condição de passar, é complicado quando a coisa está tão bem, uma coisa pode fazer a diferença, e você não consegue ter uma reação em um jogo de futebol.
GOLDACHAPE – Como você vê o torcedor da Chapecoense, em relação ao seu trabalho? O pessoal te para na rua? Sugere contratações? Mudança no time?
MAURO OVELHA – Está fazendo quase um ano que estou aqui, todo esse tempo sempre tive uma relação muito boa com o nosso torcedor e onde eu vou, acontece de perguntarem sobre trabalho, contratações e, principalmente, o que mais interessa a ele, que é em relação ao próximo ano, a gente sabe da responsabilidade, mas vamos trabalhar muito para que as coisas aconteçam.
GOLDACHAPE – Tem alguma história de viagens, bastidores, que seja engraçada ou emocionante que você poderia contar para nós e que te marcou muito?
MAURO OVELHA – Haha…. (Ovelha abre um sorriso) As viagens são muito parecidas, aquela viagem para Araguaia até pelo tempo que foi, aquilo ali tem que ter muita paciência para não se estressar né, foi um jogo de paciência viajar 30 horas para ir e 30 horas para voltar, felizmente as coisas deram certo, pelo resultado que a gente teve lá, o grupo soube que o mais importante para nós, era o time do Araguaia e não a viagem, isso que nós fomos levando e conversando entre eles, e não botando na cabeça que aquilo ali não iríamos atrapalhar.
GOLDACHAPE – 2010 está chegando, a Chapecoense terá 3 competições importantes, Estadual, Copa do Brasil e Série C, como está sendo o trabalho, o planejamento em relação à contratações, o que o torcedor pode esperar, em termos de time para 2010?
MAURO OVELHA – Agora iniciamos o trabalho, na segunda-feira, mas o nosso planejamento viemos elaborando há um tempo pra poder montar um grupo forte, mas existe ainda várias situações para se resolver, de repente alguns irão sair, e há situação de outros jogadores chegarem para reforçar o grupo e melhorar nosso desempenho, essa é nossa preocupação: de qualificar o grupo e não apenas nossa, mas da imprensa, o torcedor também tem essa preocupação para que a gente entre fortalecido em 2010 e trazer os jogadores com o perfil e que saibam da responsabilidade que teremos em relação às competições.
GOLDACHAPE – Você considera importantíssimo a Chapecoense ter mantido uma base boa do time que conquistou o acesso e assim entrar, digamos, como uma das favoritas para o Estadual?
MAURO OVELHA – Não considero a Chapecoense como favorita, muito pelo contrário, a competição sempre inicia com o Avaí e o Figueirense, a responsabilidade e o favoritismo é deles, e os outros que correm por fora, assim como a Chapecoense vai fazer com vontade de vencer, crescendo durante a competição e esse é o nosso objetivo e, pelo fato de termos mantido boa parte do grupo, foi muito importante, o planejamento nosso passar por isso.
GOLDACHAPE – A gente agradece muito você ter concedido a entrevista para o pessoal do GOLDACHAPE, desejamos uma temporada de 2010 para você, comissão técnica, jogadores, quem sabe, venham grandes jogos e grandes emoções. Gostaríamos que deixasse uma palavra para o torcedor do Verdão, algo que você gostaria de dizer.
MAURO OVELHA – O que posso falar pro nosso torcedor é que ele pode esperar que, vamos sim trabalhar muito na pré-temporada, pra conseguir talvez ser melhor que em 2009. Nosso objetivo é esse: temos vontade que as coisas aconteçam aqui em Chapecó, temos um ano cheio em relação à competição, continua com a mesma maneira de trabalhar, até pela energia que o torcedor passa para nós, se continuar assim, certamente vamos brigar pelos títulos.

Mauro Ovelha e Giba






