
Sem pontaria
O velho e surrado ditado “quem não faz leva” prevaleceu na Ressacada. A Chapecoense teve bem mais chances para marcar que o Avaí e, mesmo assim, voltou para o Oeste de mãos abanando. Cito três lances em que era mais fácil fazer o gol a perdê-los: o primeiro aconteceu na etapa inicial, com Mazinho, que isolou a bola depois de pegar um rebote na cara do goleiro; o segundo e terceiros ocorreram na fase complementar, ambos com Rafael Santiago. O Verdão apresentou problemas na armação das jogadas –lentidão e falta de criatividade –, mas as oportunidades apareceram. O time foi incompetente nas conclusões e pagou caro por isso.
As carências
O torcedor pode agir na base da emoção, mas não é burro. Desde antes do campeonato, a torcida alertava para a necessidade de um centroavante “matador” e de um meia-de-ligação qualificado. A diretoria trouxe jogadores para estas posições, mas até agora ninguém correspondeu. O Cadú Mineiro parece ter desaprendido a jogar, o Rafael Santiago é uma fotocópia do Cadú e o Tuto não é atacante de área, bem como o Waldison – o melhor até o momento – e o Fabinho. O Alan é a última esperança. Quanto à camisa 10, Mazinho não disse a que veio. O Neném está longe de ser o “cara”, mas ainda tem lugar nesse time.
Custo a mais
O grupo da Chapecoense está pronto, numericamente. Porém, quantidade não é sinônimo de qualidade. Dos seis atacantes, somente Waldison inspira confiança. Tem uns aí – refiro-me a todas as posições – que agradaram nos amistosos, mas bastou o Catarinão começar para esquecer o futebol no vestiário. A julgar o desempenho nas três primeiras rodadas, a direção é obrigada a qualificar o plantel. E, para não inchá-lo, é necessário dispensar, e toda demissão gera um custo (multa rescisória). Por isso que a contratação, antes de ser consumada, requer uma análise rigorosa.
3-5-2 manjado
Mauro Ovelha não teve sorte, no sábado: queimou duas trocas devido a lesões. Na primeira, logo no início do jogo, tirou Anelka, machucado, e colocou Willian Amaral, ou seja, seis por meia dúzia. Já no segundo tempo, Silvio Bido, também lesionado, saiu para a entrada de Emerson Cris. A única mudança por opção foi o ingresso de Rafael Santiago na vaga de Mazinho. O treinador agiu corretamente ao pôr mais um atacante, se bem que poderia ter escolhido o Alan. Uma coisa é fato: o 3-5-2 do Ovelha está manjado demais. Está na hora de criar alternativas, Mauro.
Situação após derrota
No Catarinão 2009, o vencedor do turno somou 19 pontos (foi o Criciúma). Pressupondo que o primeiro colocado deste ano marque o mesmo número de pontos, a Chapecoense é obrigada a faturar mais 16 tentos. Isso significa que, além de vencer os quatro jogos em casa – Juventus, Brusque, Imbituba e Joinville –, terá de ganhar uma partida fora e empatar outra. Os adversários longe da Arena Condá: Criciúma e Figueirense. Moral da história: o Verdão não pode mais perder. Lembrando que os quatro melhores se classificam à semifinal, entretanto, o líder, caso chegue à final, decidirá o título do turno em seu reduto.
Inacreditável
Tentar antecipar a partida contra o Brusque por causa do Gre-Nal em Erechim (RS) e viabilizar passagens aéreas mais baratas para que ele aceite a proposta de antecipação foi uma piada de péssimo gosto da diretoria da Chapecoense. Na minha opinião, o clássico gaúcho não tira público da Arena Condá, pois poucos foram os ingressos colocados à venda em Chapecó, e ao pensar diferente a diretoria mostra que não confia na fidelidade do seu torcedor. Para piorar, o Verdão ainda trabalha em prol do Brusque. Seria cômico se não fosse trágico. A Chape é um clube profissional e como tal deve ser administrado.
Cobrança
Nunca na Chapecoense os jogadores e os membros da comissão técnica foram tão bem tratados. Salários (bons) em dia, hotéis de quilate, viagem de avião… Enfim, a cobrança deve ser proporcional à estrutura oferecida para trabalhar. Três pontos em nove disputados. O Verdão está devendo. As cobranças não podem partir somente da torcida e imprensa. Um dos papeis da diretoria é exigir. Chegou o momento. Quanto à arbitragem, nada a contestar. Jefferson Schmidt, que nos prejudicou o ano passado, não influenciou no resultado. Mas esperar o quê de quem busca meios para facilitar a vida de um adversário? Os cartolas criaram, desnecessariamente, uma situação desagradável.